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sábado, 28 de abril de 2012

Na poética da delicadeza: nos fios de Arthur Bispo do Rosário e da olimpíada para todos

Um fio.
Arthur Bispo do Rosário, entre silenciosos barulhos, foi, dia a dia, costurando sua poética de mundo: mundo esse onde seria possível reiventar estéticas, e no qual os pequenos instantes da existência humana iam se reinventando, adquirindo novos contornos. Arthur Bispo já forjava uma reforma psiquiátrica muito antes dela coletivamente se fazer diluir pelos poros, com movimentos micropolíticos que marcavam sua expansão para além muros, para além rótulos.

Uma poética.
A possibilidade de inventar um espaço-de-subversão-coletiva, onde a infância, pré-adolescência, adolescência pudessem se experimentar, na sua singularidade, numa proposta de corpo-esporte-intensidade.

Uma delicadeza.
Entre ares molhados de uma competição de natação, fios de delicadeza. A aceleração das pernadas, o sorriso dos nadadores que apertavam as pernas do tempo para logo chegarem. Ao mesmo tempo, as pernadas em tempos outros, onde a intensidade da experiência podia se dar com um toque, um mergulho, um abraço. A surpresa-que-molhava-as-pálpebras-marejadas ao se perceber as lutas diárias produzem, sim, mudanças.
Os muros da exclusão hoje tiveram um tanto de suas pedras diluidas no ar.






quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cartografias da Inclusão

             O que significa cartografar a inclusão? É o mapear, dar sentidos, realizar trajetórias, caminhos, escutas, percorrer territórios, movimentar-se e analisar estes movimentos que se entrelaçam na comunidade escolar na perspectiva de uma escola para todos.
            A educação inclusiva na Escola Cidadã realiza um deslocamento de olhares e construção de pontes entre os mais diversos sujeitos pertencentes ao espaço escolar. O fio que tece o trabalho do Setor de Educação Inclusiva e Diversidade na Secretaria Municipal de Educação e Desporto de Novo Hamburgo envolve o acompanhamento às escolas e a cada singularidade que emerge em relação às aprendizagens dos sujeitos.
            Orienta-se através dos princípios da Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (MEC/SEESP- Portaria 555/2007) e o que se pretende é realizar uma costura ética com a cartografia, que pressupõe dar consistência aos movimentos e transformações necessárias a cada aluno de forma que ele tenha direito ao acesso , permanência e aprendizado na escola garantidos por lei.
            E nesse sentido, anda em consonância com o  Pacto pela Aprendizagem - Todos Tem o Direito de Aprender, que por sua vez cartografa o trabalho colaborativo e de parceria com as Redes de Atendimento  na medida que otimiza e promove o fazer pedagógico. As estratégias e caminhos de ambos se dão em função daquilo que o contexto demanda. Como diz Suely Rolnik (2006): “todas as entradas são boas desde que as saídas sejam múltiplas.”
            Dentro destas múltiplas cartografias que envolvem a inclusão, atualmente o Setor de Ed. Inclusiva e Diversidade assessora e acompanha as Salas de Recursos Multifuncionais, com o Atendimento Educacional Especializado (AEE) aos alunos com necessidades educacionais especiais. Conforme a legislação, esse atendimento disponibiliza programas de enriquecimento curricular, ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e tecnologia assistiva. O AEE está articulado com a proposta pedagógica do ensino regular, com vistas à autonomia e independência destes alunos na escola e fora dela. Além disso, o setor também abre espaços de formação permanente aos trabalhadores da educação e organiza a abertura do trabalho no ambiente virtual através do blog (www.cartografiasdainclusao.blogspot.com) a partir das experiências das escolas com a educação inclusiva. Mantemo-nos no constante exercício das costuras em rede, que buscam colocar a diferença em cena na cidade.


ENTRE CAMINHOS JÁ TRILHADOS E NOVAS TRAJETÓRIAS
(Diferenças entre Salas de Recursos e Sala de Recursos Multifuncional):


Salas de Recursos
Sala de Recursos Multifuncional
Período
De 2002 até 2009.

Efetivou-se a partir de 2010.
Público-alvo
Alunos em dificuldade de aprendizagem e alunos com necessidades educacionais especiais.
Atendimento em grupos de 4 alunos.
Alunos com necessidades educacionais especiais (transtornos globais do desenvolvimento, deficiências e altas habilidades/superdotação), atendidos individualmente no contraturno.                                                                                                                                                                                                     
Nº de salas
Em 2009 existiam 27.
Em 2011 existem 39.
Metodologia
Trabalhava com os alunos dentro de uma perspectiva ludica.
Identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras físicas e curriculares para estes alunos.
Conceito
Entendida como um atendimento  de enfoque psicopedagógico, partindo da perspectiva do  aluno.
É um serviço da educação especial existente dentro da escola de caráter não substitutivo e sim complementar ao ensino regular. Contempla à plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas (SEESP/MEC, 2008). Consiste também no apoio e orientação aos professores e às famílias almejando a autonomia e a independência do aluno atendido.

Texto publicado no encarte NH na Escola (Jornal NH dia 26 de agosto de 2011)